“Eu Venci”: muito além das expectativas

eu-venci-muito-alem-das-expectativas

Dando continuidade à série “Eu Venci”, hoje trazemos a história inspiradora do empresário Sérgio Afonso Felippe, de 63 anos. Ele nos mostra que o câncer não necessariamente precisa ser apenas uma trajetória apenas de dor e sofrimento, mas pode se tornar fonte de boas surpresas e experiências positivas quando se aprende a curtir cada pequena alegria no caminho. 

Com o primeiro diagnóstico de câncer, em 2004, trazendo uma expectativa de apenas 6 meses de vida, Sérgio já supera em 15 anos essa estimativa, sendo um grande exemplo de que é possível ir além de qualquer expectativa. 

Depois de constatado um tumor nascido nas costas, exames indicavam que tratava-se de uma metástase de melanoma, sem ter encontrado o tumor original.

“Poderia ter sido um câncer que veio e voltou metástase dele mesmo. O que então foi feito? Foi retirado o tumor, depois feito uma cirurgia para aumento de espaço, cintilografia nos gânglios. Depois fizemos um PET-CT e não foi constatado mais nada. Então deu-se por encerrado aquele ciclo”, conta o empresário.

Por 5 anos continuou fazendo exames, nos quais nada aparecia. Então resolveu parar de fazer os exames de imagem. Foi então que em 2011, sua filha Dra. Grazielle Cristina Felippe, oncologista, percebeu um caroço ao lado do olho direito de Sérgio, pedindo a retirada e análise na Clínica Neoplasias Litoral. Foi confirmado que uma metástase de melanoma, novamente. E outros exames de imagem constataram diversos tumores já espalhados pelo organismo de Sérgio, junto ao olho direito no músculo retro-orbital, nas adrenais, diversos tumores subcutâneos e um tumor subcutâneo no lado da coluna, entre outros.

“Naquele momento o susto foi grande. O diagnóstico mais parecia um atestado de óbito. Eu cheguei a me apavorar por alguns instantes. Mas só por alguns instantes.  A minha consciência era muito forte no sentido de conseguir lugar contra o câncer”, relata.

De posse dos exames de imagem, Dra. Grazielle marcou uma consulta com Dr. Antônio Carlos Buzaid, que encheu todos de esperança, contando que era possível fazer um tratamento experimental com ipilimumabe. Depois de realizados dos ciclos de tratamento, os tumores se mantiveram estáveis por um tempo.  “Até então nós já tínhamos 2 anos de vitória com qualidade de vida”

Com a volta do crescimento dos tumores, Sérgio foi encaminhado em outubro 2013 para um tratamento experimental em Miami, nos EUA. 

“Eram ciclos com aplicação de medicamento a cada duas semanas e, mais uma vez, apresentou resultado positivo, mantendo a doença estável”, lembra Sérgio.

A filha e dentista Mary Helen Felippe, que acompanhou e cuidou de Sérgio nas viagens, lembra que houve dificuldades em lidar com uma cultura diferente e todo o tipo de burocracia para poder estar nos EUA e realizar o tratamento, além dos custos altos de estar no país. Porém, para tornar tudo mais leve e tranquilo, pai e filha sempre buscaram criar momentos felizes em meio aos tratamentos. 

“Meu pai estava bem abalado nesse momento, foi logo no começo. A gente foi para Miami nessa época. A minha intenção foi sempre que ele se sentisse bem, da forma mais confortável possível”, conta Mary Helen. 

Para aproveitar a estada nos Estados Unidos, ela conta que alugaram um carro e foram passear na Disney, uma oportunidade ímpar de diversão proporcionada pela doença. Porém, em abril de 2014 houve a última aplicação do tratamento, pois os tumores voltaram a crescer.

“Devo ressaltar que o período que ficamos em Miami foi com efeitos colaterais muito leves e foi o que posso chamar de “férias”. Foi um período da minha vida que eu ainda não tinha vivido, e eu só pude ter esse prazer de viver em Miami, na forma como foi vivido, graças ao câncer. A minha doença não foi só maus pedaços. Foram muito mais bons pedaços do que maus pedaços”, lembra Sério Felippe.

De volta ao Brasil, Dr. Buzaid um tratamento em Israel chamado TIL, onde se extrai um pedaço do tumor e, em laboratório, é realizado o cultivo das células ainda saudáveis que existem dentro do tumor, que lutam contra o câncer. Essas células são produzidas em larga escala em laboratório.

“É um choque de cultura, mas lá todo mundo tratava a gente muito bem. Israel gosta muito do Brasil e era época de Copa do Mundo, então todo mundo perguntava “Nossa, o que vocês estão fazendo aqui?’”, conta a dentista Mary Helen.

O tratamento desta vez apresentou fortes efeitos colaterais por conta de sua complexidade e das substâncias utilizadas. 

“Foram efeitos terríveis, eu passei maus momentos. Foi complicado mesmo esse tratamento com a interleucina. Eles levavam até o limite da resistência do organismo. Mas nem tudo eram dores em Israel”, diz Sérgio.

Novamente, graças à doença, pai e filha puderam viver momentos únicos, aproveitando para realizar alguns passeios, conhecendo Jerusalém e o Mar Morto.

“Tomamos banho no Mar Morto, o mar que realmente as pessoas não afundam, quase todos sabem disso, mas, como São Tomé, eu tive que ver para crer. Foi novamente uma parte boa do tratamento do câncer na minha vida”, lembra o empresário.

Mary Helen lembra de um momento curioso que eles experimentaram em uma cultura tão diferente da brasileira.

“Teve uma passagem, logo que a gente chegou… Eles estavam em guerra lá. Estávamos no hotel e, de repente, tocou uma sirene. Eu nem percebi a sirene! Então vi todo mundo correndo, se escondendo embaixo de um lugar próximo. Um tempo depois todos voltaram tranquilos para a piscina. Mais tarde, na televisão, descobri que eles tem até aplicativo sobre bombardeio que avisa quando já pode sair”

Ela conta que, novamente, houveram momentos de muita luta, com cirurgias e internações no hospital. Porém, apesar de toda dor, a resiliência de Sérgio sempre fez tudo correr com mais leveza. 

“A gente ficou lá quatro meses. A sorte que eu tive foi que, bem nos três piores dias, a Grazi consegui ir e estar lá junto, pois eu também já estava quase sem energia. Com certeza todo mundo sempre ajudou da forma que pode. Mas meu pai sempre foi muito guerreiro, nunca foi de reclamar. A impressão que dava é que ele realmente estava ali para lutar. E ele vivia essa experiência, sem ficar se preocupando com antecipação. Estava ali fazendo o que ele tinha que fazer, que era se tratar, se cuidar e ficar bem”

Com o passar dos meses, em meados de 2015, os tumores de Sérgio voltaram a crescer. Ele foi então encaminhado para outro tratamento experimental fora do país, em Boston, nos EUA. Sem nunca perder as esperanças, o empresário partiu para mais um tratamento, desta vez acompanhado pela esposa Lilian.

“E, da mesma maneira, no começo houve a regressão dos tumores e na sequência eles voltaram a crescer. Passamos o inverno em Boston, com frio quase do Polo Norte, foi terrivelmente frio, mas terrivelmente emocionante também. São outras culturas, outras origens que a gente acaba conhecendo”, explica Sérgio. “É estranho falar, mas tudo isso graças ao tumor. O lado bom do tumor. Durante todo esse período de tratamento do câncer eu sempre tive uma qualidade de vida excelente, melhor do que a que eu tinha antes”, completa.

O tratamento em Boston era feito com um medicamento por via oral, porém teve que ser interrompido porque os efeitos colaterais foram muito graves. 

“O meu corpo encheu-se de feridas e a dose teria que ser muito reduzida, não fazendo efeito”, diz Sérgio.

Voltando ao Brasil, em outubro de 2016, Dra. Grazielle elaborou um novo tratamento com ipilimumabe e nivolumabe, discutido em comum acordo com o Dr. Buzaid, que também conversou com outros médicos do exterior e todos concordaram que este tratamento. O tratamento logo de início começou a dar resultado. 

Os tumores pararam de crescer com algumas reduções e perdurou até outubro de 2018, quando foi suspenso. Hoje Sérgio continua fazendo acompanhamento por imagem e, até então, os tumores estabilizaram. 

“Essa foi uma breve história do meu câncer. Um período cheio de emoções: em alguns momentos de dor e tristeza, em alguns momentos de dor física, mas na maioria do tempo de esperança, passeios e aproveitar a vida com qualidade de vida melhor do que eu tinha antes. 

Quero agradecer aos meus filhos, todos que colaboraram com o meu tratamento, à Dra. Grazielle que, além de filha e oncologista, encabeçou o meu caminho durante o período de tratamento, ao Dr. Antônio Carlos Buzaid que foi meu médico mór e que protagonizou todos esses tratamentos e, em especial, à minha esposa que me dedicou todo o seu tempo, todo o seu carinho, toda a sua devoção durante meu período de tratamento, aproveitando comigo a parte das dores e a parte do lazer, das viagens e das estadas fora do Brasil. Agradeço à equipe da Clínica Neoplasias Litoral que me deu muito apoio e sempre me trataram com carinho. 

 

E o meu câncer que no início, no primeiro diagnóstico, parecia um atestado de óbito foi, na verdade, um atestado de vida. Uma vida cheia de surpresa, cheia de realizações e cheia de lazer. E eu estou muito bem”

Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on pinterest
Pinterest

1 comentário em ““Eu Venci”: muito além das expectativas”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fale Conosco
Enviar via WhatsApp
Rolar para cima